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Quanto custará a crise econômica?

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Eu convido o leitor a parar para pensar no cenário econômico brasileiro nos últimos 10 anos. Quem for um pouco mais velho, eu convido para pensar na economia do país desde o Plano Real, em 1994. Passamos por uma década de privatizações e controle da inflação. Obtivemos crescimento econômico e desenvolvimento do país.

Após isso, tivemos um período em que sediamos dois grandes eventos mundiais e que impulsionaram as obras públicas e privadas. No atual cenário, estamos vivendo uma crise econômica sem precedentes para a geração que começou a trabalhar nos anos 2000. Há um encolhimento dos mercados, setores deixam de investir em novos produtos e serviços e muitos estão desempregados. Sem falar nos que estão trabalhando, com a mesma carga horária, mas ganhando um terço do ganhavam. O poder aquisitivo diminuiu. O que isso quer dizer? Que estamos consumindo menos.

Mas não estamos consumindo menos porque, finalmente, temos a consciência de que os recursos do nosso planeta são limitados. Na verdade, os recursos financeiros é que estão limitados. Estamos consumindo menos inclusive na saúde. No remédio que deixamos de comprar ou no exame que adiamos, pois não há mais planos de saúde. Porém, a arrecadação dos tributos bate recorde a cada trimestre. A tabela progressiva de IRPF não é atualizada desde abril de 2015. Estamos pagando mais tributos também.

Pagando tributos sem ter saúde, educação, segurança e transporte coletivo de forma adequada. O pagamento é certo, mas o retorno não chega. As fiscalizações da Receita Federal do Brasil em 2017 aumentaram quase 100% em relação a 2016, dados da própria Receita Federal do Brasil em seu Plano Anual de Fiscalização – 2018. A fiscalização de Pessoas Físicas aumentou em até 10%. Isso significa que as informações que enviamos para a Receita Federal, seja como empresa, seja como pessoas física, estão sendo cruzadas, analisadas e questionadas as inconsistências encontradas.

Mas até quando conseguiremos cumprir com as obrigações tributárias que tem sufocado as pequenas e médias empresas e os trabalhadores que trabalham 3 meses, quase 4 ao ano somente para o pagamento de tributos? Isso sem considerar os tributos incidentes sobre o consumo. O cenário não traz esperança de uma tributação simples, justa e igualitária no curto prazo. Os investimentos realizados servem apenas para secar gelo e escoam para o ralo da má gestão pública.

Precisamos de técnicos nas áreas de planejamento e em posições chaves de todos os ministérios e secretaria dos país. Incentivamos a capacitação profissional, mas o funcionário de carreira não é consultado nas decisões mais importantes do país. Qualquer semelhança com os contadores não é mera coincidência, num país que tem uma cultura apegada a costumes passados que já não funcionam mais. É preciso olhar para o futuro com expectativas novas sem pensar no que um dia já foi sucesso. A capacidade de se reinventar é a forma de sobrevivência de uma nação.

A minha esperança é ter ouvido dos mais experientes que a crise é cíclica e uma hora acaba. A questão é saber o quanto durará e o que custará a cada um seja contribuinte ou não. Afinal, antes de sermos contribuintes, somos seres humanos.